Greves na Uern chegam a 382 dias com Rosalba e Robinson

Hoje, 12 de janeiro de 2018, os professores da Universidade do Estado do RN (UERN) totalizam 382 dias parados. Número representa quase dois anos (quatro semestres) de período letivo sem aulas. Um prejuízo incalculável para milhares de alunos, quem realmente paga o “pato”.

A soma refere-se aos últimos sete anos.

O feito não deve ser creditado apenas ao atual chanceler da instituição, governador Robinson Faria (PSD). Entretanto ele já possui dois recordes nessa relação com a Uern.

Em sua gestão ocorreu a maior greve (147 dias, em 2015) e o maior tempo cumulativo de paralisações também.

O atual movimento grevista – iniciado em 10 de novembro de 2017 – chegou a 63 dias. Assim, a soma das duas paralisações atinge 210 dias. Por enquanto.

Com a ex-governadora Rosalba Ciarlini (PP) foram duas greves: a primeira, com 106 dias; a seguinte, 66. Então, 172 dias de braços cruzados. No cômputo geral, 382 dias sem aulas.

Na quarta-feira (10), os técnicos-administrativos da Uern resolveram entrar em greve também, reforçando o movimento do professorado. Em novembro, tinham rejeitado a proposta de paralisação.

Segundo pregação do comando de greve da Associação dos Docentes da Uern (UERN), essa é uma “greve por dignidade” – ao cobrar pagamento de salários em dia e maior respeito à instituição. Implicitamente, admitiu que há considerável possibilidade de atingir o mesmo resultado da anterior: nada.

A atual greve foi aprovada em assembleia, sob o argumento que o professorado iria participar de uma ampla mobilização de servidores das administrações direta e indireta do estado. Puro sofisma. Não foi o que aconteceu.

Apenas parte ínfima da Saúde e os uernianos foram à luta e obtiveram alguns dias de notoriedade, graças a spray de pimenta disparado por policiais militares. Servidores do Departamento Estadual de Trânsito (DETRAN) logo resolveram seus problemas e sumiram da infantaria das batalhas.

Outra vez, os professores estão isolados e até aqui sem poder de pressão eficaz, como a eficiente estratégia dos policiais, que deixaram a população sem a essencial segurança (mesmo que esquálida).

Noutro viés de abordagem, é fácil perceber que a importância imaterial da Uern – ignorada pelo governo e boa parcela da opinião pública – não garante seu futuro. Fechada, quase ninguém percebe. Aberta, precisa provar que vale a pena.

Primeiro, os donos do poder vendem ações da Potigás; em seguida será a Caern, sem que quase ninguém perceba que outros patrimônios públicos ficarão ainda mais justificáveis à negociação.

É um enredo tão lógico, que fica difícil acreditar que a academia não saiba disso e siga dando argumentos para que, de fato, seja dispensável – apesar de ser a maior obra humana já erigida em Mossoró, para o RN e para o Brasil.

Do blog do Carlos Santos – Foto: Cedida

Greve-do-Sindsaúde-e-da-Aduern-no-Centro-Administrativo-em-Natal-13-11-17

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