domingo, 25 junho, 2017.
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Uma mão lava a outra. Entenda a prisão de Henrique Alves

Henrique Alves continua com força em Brasília - Foto: Predro França/Agência Sanado

O ex-ministro do Turismo Henrique Eduardo Alves (Governo Michel Temer/PMDB-RN) foi preso pela Polícia Federal nesta terça-feira, 6, na Operação Manus.

A Polícia Federal, em conjunto com o Ministério Público Federal e a Receita Federal, deflagrou a Manus para apurar atos de corrupção ativa e passiva, além de lavagem de dinheiro envolvendo a construção da Arena das Dunas, em Natal/RN.

O sobrepreço identificado chega a R$ 77 milhões.

O ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) também é alvo da operação.

Em nota, a PF informou que cerca de 80 policiais federais cumprem 33 mandados judiciais, sendo cinco mandados de prisão preventiva, seis mandados de condução coercitiva e 22 mandados de busca e apreensão nos Estados do Rio Grande do Norte e Paraná.

A investigação realizada se iniciou após a análise das provas coletadas em várias das etapas da Operação Lava Jato que apontavam solicitação e o efetivo recebimento de vantagens indevidas por dois ex-parlamentares cujas atuações políticas favoreceriam duas grandes construtoras envolvidas na construção do estádio.

A partir das delações premiadas em inquéritos que tramitam no STF, e por meio de afastamento de sigilos fiscal, bancário e telefônico dos envolvidos, foram identificados diversos valores recebidos como doação eleitoral oficial, entre os anos de 2012 e 2014, que na verdade consistiram em pagamento de propina. Identificou-se também que os valores supostamente doados para a campanha eleitoral em 2014 de um dos investigados foram desviados em benefício pessoal.

Os investigados responderão, na medida de suas participações, pelos crimes de corrupção ativa e passiva, além de lavagem de dinheiro.

Sobre o nome da operação é referência ao provérbio latino “Manus Manum Fricat, Et Manus Manus Lavat”, cujo significado é: uma mão esfrega a outra; uma mão lava a outra

Garibaldi diz no Twitter que Temer foi vítima de calúnias e depois apaga postagem

O senador Garibaldi Alves Filho (PMDB) postou no seu perfil do Twitter, neste domingo (21) sua solidariedade ao presidente Michel Temer (PMDB). Segundo Garibaldi, temer foi alvo de delação caluniosa e ainda afirmou que confia no seu governo reformista.

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Curiosamente, nesta segunda-feira (22), a postagem tinha sido apagada do perfil do senador, não havendo nenhum registro do dia 21.

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Joaquim Barbosa diz que ‘não há outra saída’ a não ser renúncia de Temer

O ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa afirmou nesta sexta-feira (19), através de seu perfil pessoal no Twitter, que “não há outra saída” para o Brasil a não ser a renúncia do presidente Michel Temer.

Ele convocou a população a se mobilizar a reivindicar a “renúncia imediata de Michel Temer”. Ele disse que a notícia veiculada na semana passada, de que o presidente teria utilizado a residência oficial  para pedir propina já seria motivo suficiente para a população exigir a renúncia de Temer, mas “nada aconteceu”.

Joaquim Barbosa também chamou de “estarrecedoras” as gravações entregues pelo empresário Joesley Batista à Procuradoria-Geral da República. Nos áudios, ele aparece em uma conversa com Temer na qual relata ao presidente uma sequência de crimes que vão de obstrução à Justiça, suborno de procuradores e compra de informações privilegiadas.

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Ao longo do encontro, Temer ouviu tudo e não condenou os relatos de crimes do empresário em nenhum momento. Pelo contrário, em alguns trechos da conversa, o peemedebista chegou a repetir que tava “ótimo”. Além disso, o presidente da República não mandou investigar nada.

“Agora vieram a público as estarrecedoras revelações do sr. Joesley Batista sobre o mesmo personagem, Temer. São fatos gravíssimos”, disse o ex-presidente do Supremo.

Temer insinua que gravação foi editada e envia áudio a peritos

Uma das estratégias de emergência montada por Temer e aliados é desqualificar a gravação. De acordo com informações do Painel, da Folha, o Planalto decidiu enviar a peritos o áudio feita pelo empresário Joesley Batista, da JBS, com o presidente Michel Temer. Auxiliares do peemedebista desconfiam que a conversa foi editada.

“Comprovada a existência de montagem nos áudios, o governo vai reforçar a tese de que Temer foi vítima de uma ‘conspiração’, como ele próprio disse a aliados inicialmente. O grampo foi feito por Joesley antes de ele e executivos de seu grupo fecharem acordo de delação com a Lava Jato.

Palacianos vão, ainda, reforçar o discurso de que o grampo foi ilegal, feito sem autorização da Justiça. E questionarão a decisão a Procuradoria-Geral da República de validá-lo.

Por volta das 18h desta quinta-feira (18), ministros e aliados de Temer se reuniram aos cantos, em pequenos grupos, na antessala do gabinete presidencial, para ouvir em celulares e notebooks o grampo de sua conversa com Joesley”.

*Com informações do Painel da Folha

Temer diz que não vai renunciar

presidente Michel Temer afirmou na tarde desta quinta-feira (18) no Palácio do Planalto que não teme delação e que não renunciará.

Ele fez um pronunciamento motivado pela delação premiada dos empresários Joesley e Wesley Batista, donos da JBS. As delações já foram homologadas pelo Supremo Tribunal Federal. Nesta quinta, o ministro Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato no STF, autorizou a abertura de inquérito para investigar o presidente.

“No Supremo, mostrarei que não tenho nenhum envolvimento com esses fatos. Não renunciarei. Repito: não renunciarei. Sei o que fiz e sei a correção dos meus atos. Exijo investigação plena e muito rápida para os esclarecimentos ao povo brasileiro. Essa situação de dubiedade e de dúvida não pode persistir por muito tempo”, declarou.

Reportagem publicada no site do jornal “O Globo” nesta quarta (17) informou que Joesley Batista entregou à Procuradoria Geral da República (PGR) gravação de conversa na qual ele e Temer falaram sobre a compra do silêncio do deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), preso na Operação Lava Jato.

“Não temo nenhuma delação, nada tenho a esconder”, disse Temer. “Nunca autorizei que se utilizasse meu nome”, declarou o presidente.

Houve, realmente, o relato de um empresário que, por ter relações com um ex-deputado, auxiliava a família do ex-parlamentar. Não solicitei que isso acontecesse. E somente tive conhecimento desse fato nessa conversa pedida pelo empresário”, disse.

Ele afirmou que nunca autorizou que se pagasse a alguém para ficar calado. “Em nenhum momento autorizei que pagasse a quem quer que seja para ficar calado. Não comprei o silêncio de ninguém”, declarou.

Temer disse que pediu oficialmente ao Supremo acesso ao conteúdo das delações, mas não conseguiu.

“Meu governo viveu nesta semana seu melhor e seu pior momento”, disse Temer, em referência a indicadores de inflação, emprego e desempenho da economia e à revelação da delação dos donos da JBS. “Todo o esforço para tirar o país da recessão pode se tornar inútil”, afirmou.

Segundo o presidente, “a revelação de conversas gravadas clandestinamente trouxe fantasmas de crise politica de proporção ainda não dimensionada”.

Íntegra do pronunciamento

Leia abaixo a íntegra do pronunciamento de Michel Temer:

Olha, ao cumprimentá-los, eu quero fazer uma declaração à imprensa brasileira e uma declaração ao País. E, desde logo, ressalto que só falo agora – os fatos se deram ontem – porque eu tentei conhecer, primeiramente, o conteúdo de gravações que me citam. Solicitei, aliás, oficialmente, ao Supremo Tribunal Federal, acesso a esses documentos. Mas até o presente momento não o consegui.

Quero deixar muito claro, dizendo que o meu governo viveu, nesta semana, seu melhor e seu pior momento. Os indicadores de queda da inflação, os números de retorno ao crescimento da economia e os dados de geração de empregos, criaram esperança de dias melhores. O otimismo retornava e as reformas avançavam, no Congresso Nacional. Ontem, contudo, a revelação de conversa gravada clandestinamente trouxe volta o fantasma de crise política de proporção ainda não dimensionada.

Portanto, todo um imenso esforço de retirar o País de sua maior recessão pode se tornar inútil. E nós não podemos jogar no lixo da história tanto trabalho feito em prol do País. Houve, realmente, o relato de um empresário que, por ter relações com um ex-deputado, auxiliava a família do ex-parlamentar. Não solicitei que isso acontecesse. E somente tive conhecimento desse fato nessa conversa pedida pelo empresário.

Repito e ressalto: em nenhum momento autorizei que pagassem a quem quer que seja para ficar calado. Não comprei o silêncio de ninguém. Por uma razão singelíssima: exata e precisamente porque não temo nenhuma delação, não preciso de cargo público nem de foro especial. Nada tenho a esconder, sempre honrei meu nome, na universidade, na vida pública, na vida profissional, nos meus escritos, nos meus trabalhos. E nunca autorizei, por isso mesmo, que utilizassem o meu nome indevidamente.

E por isso quero registrar enfaticamente: a investigação pedida pelo Supremo Tribunal Federal será território, onde surgirão todas as explicações. E no Supremo, demonstrarei não ter nenhum envolvimento com esses fatos.

Não renunciarei, repito, não renunciarei! Sei o que fiz e sei da correção dos meus atos. Exijo investigação plena e muito rápida, para os esclarecimentos ao povo brasileiro. Esta situação de dubiedade ou de dúvida não pode persistir por muito tempo. Se foram rápidas nas gravações clandestinas, não podem tardar nas investigações e na solução respeitantemente a estas investigações.

Tanto esforço e dificuldades superadas, meu único compromisso, meus senhores e minhas senhoras, é com o Brasil. E é só este compromisso que me guiará.

Muito obrigado. Muito boa tarde a todos.

Portal G1

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