Carta aberta de um servidor público à prefeita e vereadores de Mossoró

Aqui, diante de vocês, caríssimos vereadores e excelentíssima população mossoroense, inicio parafraseando um trecho da música O Sol, interpretada pela banda Jota Quest.

“Ei dor…eu não te escuto mais,
Você, não me leva a nada.
Ei medo…eu não te escuto mais,
Você, não me leva a nada.
E se quiser saber pra onde eu vou,
Pra onde tenha sol, é pra lá que eu vou “…

E onde está o Sol? O Sol está na luta pela garantia dos direitos que tenho enquanto Servidor Efetivo Municipal, na luta enquanto Usuário do SUS, na luta enquanto Cidadão que, mesmo sem poder, paga diariamente impostos exorbitantes.

Não posso permitir que o medo e a dor me paralisem, me consumam, me impeçam de buscar o Sol, até porque luto porque quero a minha Mossoró melhor para mim, para o meu vizinho, para quem conheço e para quem não conheço.

Vocês, caríssimos vereadores e caríssima prefeita Rosalba Ciarlini, precisam sair do discurso muitas vezes vazio e de cunho apenas político. Abram os olhos, vejam! Limpem os ouvidos, ouçam! Mossoró pede socorro.

Mossoró está feia, cheia de buracos e lixo em todos os bairros. Mossoró está sem segurança e vocês pouco ou nada fazem. A insegurança está nos adoecendo, todos os dias estamos morrendo em vida. E não me venha com essa que a Segurança não é competência de vocês porque é, sim.

Caso não seja, porque vocês, em campanha não explicaram aos seus eleitores que não têm nada a ver com Segurança? Que não lhes cobrem essa conta porque ela não é de vocês? A segurança não se faz apenas policialmente, mas também com boas políticas sociais.

Mossoró está agonizando. Não temos em UBS e UPAs o essencial para atender a população: faltam medicamentos, materiais para simples procedimentos diários, há pessoas desesperadas nas filas esperando por cirurgias eletivas, a oferta de exames à população é insuficiente, chegando a ser
vergonhosa. Muitos servidores, para diminuir a dor do cidadão, paga do próprio bolso a internet, compram diversos materiais e outras vezes pagam o conserto de outros para que o serviço não estacione de vez.

De outro lado, a prefeita grita aos quatro cantos que uma de suas prioridades é valorizar o servidor municipal e agora pergunto: Desrespeitar a data-base de reajuste é valorizar o servidor? Trancar a prefeitura com cadeados e impedir a entrada de quem apenas luta por um direito que lhe é garantido em lei é valorizar o servidor? Impedir durante acampamento que se possa colocar uma tenda para se proteger do sol escaldante de Mossoró é valorizar o servidor? Colocar dezenas de policiais e guardas municipais para intimidar quem luta pela garantia do cumprimento do direito ao reajuste é valorizar o servidor? Se recusar a atender pessoalmente um sindicato legítimo para negociação é valorizar o servidor? Declarar a imprensa que propôs um reajuste oficialmente, mesmo sem apresentar uma data para sua implantação, é valorizar o servidor? Contribuir mesmo que de forma indireta com agressão ao servidor por falta de medicamento é valorizar o servidor?

A verdadeira e concreta valorização ao servidor passa por lhe oferecer condições de trabalho (materiais, estruturais e segurança), é conversar olho no olho com o órgão que o representa, é ouvir o seu clamor e as suas dores e da população.

Caríssimos vereadores vocês vão ficar de braços cruzados? Calados? Fingindo que não têm nada a ver com tudo isso.
Nossa caríssima prefeita, é assim que deve ser feito “pra fazer Mossoró dar certo”? Mossoró não dá certo assim e a população está sabendo disso.

Caríssimos, não sejam os autores da dor e do medo em nossa população! Não sejam omissos, vocês podem nos oferecer muito mais do que estão nos oferecendo.

Termino aqui a minha fala com as mesmas palavras que comecei:

“Ei dor…eu não te escuto mais,
Você, não me leva a nada.
Ei medo…eu não te escuto mais,
Você, não me leva a nada.
E se quiser saber pra onde eu vou,
Pra onde tenha sol, é pra lá que eu vou “…
Servidor Público, Cidadão mossoroense.

Servidor Público, Cidadão mossoroense.

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