quarta-feira, 21 novembro, 2018.
Política

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O pacto oligárquico

Por Bruno Barreto

As ultratradicionais oligarquias Alves, Rosado e Maia estão juntos e misturados, isso tudo meio a contragosto, diga-se. Ontem (ver AQUI) se confirmou a aliança que faltava para fechar o cenário político no Rio Grande do Norte em 2018.

A prefeita de Mossoró Rosalba Ciarlini (PP) indicou o filho Cadu como vice de Carlos Eduardo Alves (PDT). O acordo só foi selado quando se entenderam a respeito da reeleição do sobrinho afim dela, Beto Rosado.

Tudo resolvido em família.

Acordo feito e incluindo no mesmo balaio o senador José Agripino (DEM) deslocado para a Câmara dos Deputados tirando momentaneamente o filho Felipe Maia da política. O líder demista fez um “sacrifício” por ele mesmo para se manter na política. Tudo para Carlos Eduardo não prejudicar seu projeto de chegar ao Governo do Estado e garantir as reeleições dos primos Garibaldi e Walter Alves.

As famílias se entenderam.

Se fosse há 20 anos e com alguns ajustes envolvendo personagens já falecidos ou aposentados da política essa aliança seria imbatível. Mas naqueles tempos as oligarquias eram mais fortes divididas em Alves x Maias cada uma com o suporte dos Rosado torados em duas bandas. Praticamente todos estão juntos para sobreviver politicamente.

Nas décadas de 2000 e 2010 os oligarcas do Rio Grande do Norte começaram a perder força. Primeiro permitiram uma terceira via vitoriosa saindo de dentro de suas entranhas. Refiro-me a Wilma de Faria que derrotou Alves e Maia após circular por esses dois grupos e ela mesma tendo uma origem oligarca.

Em 2006, Alves e Maia se uniram para derrota-la, mas Wilma vence. Em 2010, o voto casado colou e as oligarquias deram o último suspiro reelegende Garibaldi e Agripino e levando uma Rosado, Rosalba, ao Governo depois de 60 anos.

Em 2014, Rosalba é jogada no escanteio da política e se junta a Robinson Faria (outrora vice dissidente) e ao PT. Numa aliança reduzida e com a então governadora dando apoio velado derrotam Alves e Maia para Governo e Senado.

O recado do eleitor estava dado e as vitórias em Natal e Mossoró deram uma ilusão de poderio as oligarquias. Mas as pesquisas em 2018 mostram um cenário desalentador aos três grupos familiares.

Carlos Eduardo não decola nas pesquisas, Rosalba é mal avaliada em Mossoró e Garibaldi nunca iniciou uma campanha tão enfraquecido. Para completar a situação, José Agripino sequer teve condições de tentar a reeleição ao Senado.

O ano de 2018 pode ser o último suspiro das oligarquias em nível estadual, sacrificando talvez o seu quadro tecnicamente mais qualificado, Carlos Eduardo.

O pacto oligárquico tem tempo e meios para virar o jogo em 2018, mas também pode se afogar num mar de repulsa popular que eles parecem não perceber.

Teremos este ano um colapso das oligarquias? É possível que sim.

Juiz concede liberdade ao ex-ministro Henrique Alves

Por Fernanda Zauli e Nathallya Macedo, G1 RN

O ex-ministro Henrique Eduardo Alves (MDB) teve a prisão domiciliar revogada pelo juiz Francisco Eduardo Guimarães Farias, da 14ª Vara Federal de Natal. Com isso, ele passará a responder em liberdade ao processo da operação Manus, em que é acusado de corrupção passiva e lavagem de dinheiro em investigação de desvios na construção da Arena das Dunas. A defesa acredita que o processo “caminha para absolvição”.

Alves foi preso no dia 6 de junho de 2017 por causa da operação Manus e também da operação Sépsis, que investigou desvios no Fundo de Investimentos do FGTS. Ele ficou detido na Academia de Polícia Militar, em Natal, até o dia 3 de maio de 2018 quando passou a cumprir prisão domiciliar.

Henrique Alves foi ministro do Turismo nos governos Dilma Rousseff e Michel Temer e presidente da Câmara Federal.

Investigações

A operação Manus investigou um suposto esquema de corrupção e lavagem de dinheiro na construção da Arena das Dunas. Além de Henrique Alves, também foram denunciados na operação o ex-deputado Eduardo Cunha, o ex-presidente da OAS Léo Pinheiro, o ex-dirigente da Odebrecht Fernando Reis e mais duas pessoas ligadas ao ex-ministro.

Os dois ex-deputados são acusados pelos procuradores da República de terem recebido propinas disfarçadas de doações eleitorais, oficiais e não oficiais. Segundo o MPF, em troca do suborno eles teriam atuado para favorecer empreiteiras como OAS e Odebrecht nas obras da Arena das Dunas, em Natal, uma das sedes da Copa do Mundo de 2014.

Depoimentos da Operação Manus

Na última segunda-feira (9), o ex-ministro prestou depoimento na Justiça Federal. Na ocasião, Alves negou à Justiça Federal todas as acusações contra ele e disse acreditar que “o MP agiu por desinformação”.

Em nota, o advogado de Alves, Marcelo Leal, afirmou que acontecerá, nesta sexta, o último ato de instrução do processo com o interrogatório de Eduardo Cunha, por videoconferência, também no processo da operação Manus.

“Após a oitiva de quase uma centena de testemunhas, com todas as provas favoráveis à defesa, o processo caminha a passos largos para a absolvição de Henrique”, disse Leal.

Operação Sépsis

A operação Sépsis foi deflagrada em 1º de julho de 2016 como desdobramento da operação Lava Jato. O objetivo da operação Sépsis foi investigar um suposto esquema de pagamento de propina para liberação de recursos do FI-FGTS.

Além de Henrique Alves, também são réus o ex-deputado Eduardo Cunha, Fábio Cleto, ex-vice-presidente da Caixa, o empresário Alexandre Margotto e Lúcio Funaoro, apontado como operador de propinas do MDB.

No dia 3 de maio de 2018 a Justiça Federal revogou a prisão de Henrique Alves pela operação Sépsis. Ele passou então a cumprir prisão domiciliar pela operação Manus.

A denúncia do Ministério Público que originou o processo afirma que os investigados cobraram e receberam propina de empresas interessadas em obter empréstimos do FI-FGTS.

De olho no Senado, Zenaide e Jácome elevam gastos públicos com divulgação

Do Portal Agora RN

Pré-candidatos ao Senado Federal, os deputados federais Zenaide Maia (PHS) e Antônio Jácome (Podemos) estão entre os maiores gastadores de cota indenizatória nestes primeiros seis meses de ano eleitoral. Mais precisamente na primeira (Zenaide, com R$ 244,6 mil gastos) e terceira (Jácome, com R$ 236 mil) posição na bancada federal na Câmara dos Deputados. O detalhe é que os dois tiveram uma despesa consideravelmente maior com a chamada “divulgação parlamentar”.

Ou seja: em anos eleitorais, Zenaide e Antônio Jácome aumentaram os valores pagos pelo poder público com a divulgação de seus trabalhos. Zenaide aumentou mais, cerca de 30%. E detalhe: até agora.

Isso porque os números da despesa de junho ainda não foram totalmente computados, mas agora, com a despesa de cinco meses deste ano, quando Zenaide gastou R$ 160 mil, contra os seis primeiros meses do ano passado, quando as despesas totais com divulgação foram de R$ 123 mil, já é possível constatar uma elevação considerável, na ordem de R$ 37 mil.

Para se ter uma ideia das despesas de Zenaide neste ano com divulgação, é possível apontar que os gastos que ela pagou com dinheiro público dobraram em quase todos os meses. Em janeiro, por exemplo, ela gastou R$ 14 mil em 2017 e R$ 29 mil neste ano. Em fevereiro, a despesa foi de R$ 17 mil no ano passado para surpreendentes R$ 47 mil neste ano.

No caso de Antônio Jácome, a diferença é menor, cerca de 6%, mas ainda assim é possível constatar o aumento, até porque, assim como Zenaide, os gastos de junho não foram totalmente computados. O valor saltou de R$ 126 mil para R$ 134 mil, tendo como destaque picos em diferentes períodos.

Nos seis primeiros meses de 2017, por exemplo, o gabinete de Jácome gastava, em média, R$ 16 mil com divulgação, mas em fevereiro chegou a pagar R$ 43,4 mil com esse tipo de despesa. O mesmo aconteceu neste ano, mas em março, quando gastou R$ 58,3 mil com divulgação, e maio, quando desembolsou outros R$ 26 mil.

 

Confira quanto gatou cada deputado:

Deputados / cota parlamentar

Zenaide Maia – 244.673

Rafael Motta  – 239.885

Antônio Jácome  – 236.302

Beto Rosado  – 225.583

Rogério Marinho  – 216.137

Walter Alves  – 214.216

Fabio Faria – 171.617

Felipe Maia – 105.966

Governo Rosalba amplia número de secretarias e cargos

Em sessão polêmica, a Câmara Municipal de Mossoró aprovou a Reforma Administrativa, enviada pela Prefeitura para o Poder Legislativo. A aprovação se deu na sessão ordinária desta terça-feira (3), que antecedeu o período do recesso parlamentar.

Com isso, serão criadas mais três secretarias municipais, que atualmente são secretarias executivas, além de quatro cargos de assessores no gabinete da prefeita Rosalba Ciarlini (PP).

O placar foi de 16 votos a favor, três abstenções e zero voto desfavorável, dos 20 vereadores presentes.

A oposição se dividiu: Parte se absteve da votação e outra votou favoravelmente à matéria do governo. Já a bancada governista, votou toda a favor da proposta.

Serão criadas as seguintes pastas, a partir da sanção do projeto de Lei: Secretaria de Esporte, que será desmembrada da Secretaria de Educação; Secretaria de Agricultura e Recursos Hídricos, que será desmembrada da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Turismo.

É criada também a Secretaria de Finanças e Compras, desmembrando-se da Secretaria de Administração.

Ano passado, a gestão Rosalba Ciarlini (PP) já tinha criado a Secretaria de Esporte, com 40 cargos comissionados.

Requerimento rejeitado

A vereadora Isolda Dantas (PT) apresentou requerimento com pedido para suprimir os quatro cargos de assessoramento da prefeita, além de retificação em erro formal. Segundo ela, a atual Reforma Administrativa baseava-se na Lei Complementar 105/2014, e não na Lei Complementar 126/2016, que foi a última Reforma Administrativa promovida.

O requerimento acabou derrubado no plenário, por 11 votos a 7.

Veja como os vereadores votaram:

A favor da Reforma Administrativa: Alex Moacir (MDB); Francisco Carlos (PP); Sandra Rosado (PSDB); Emílio Ferreira (PSD); Manoel Bezerra (PRTB); Zé Peixeiro (PTC); Flávio Tácito (PPL); João Gentil (sem partido); Ricardo de Dodoca (Pros); Didi de Arnould (PRB); Tony Cabelos (PSD); Petras Vinícius (DEM); Rondinelli Carlos (PMN) e Raério Araújo (PRB).

Abstenção: Isolda Dantas (PT); Ozaniel Mesquita (PR) e Genilson Alves (PMN).

Em tempo: A vereadora Aline Couto (PHS) esteve ausente da sessão e a presidente da Casa, vereadora Izabel Montenegro (MDB), só votaria em casa de empate.

Do blog do Saulo Vale – Foto: Edilberto Barros

Chapas de Robinson e Carlos Eduardo devem ser encaminhadas nesta sexta

Dentre os grupos que se reúnem nesta sexta, está o encabeçado pelo PSDB, que contém também o PP e o PR. O encontro deverá ser para oficializar o nome do ex-governador Geraldo Melo como opção tucana para ocupar a vaga de senador da chapa de reeleição de Robinson Faria (PSD). A ideia é reunir prefeitos da legenda também participaram das discussões e apoiaram as diretrizes partidárias e deixaram o encaminhamento das decisões para a Executiva Estadual.

“O PSDB é um partido forte e que cresceu por ouvir as bases e respeitar democraticamente suas lideranças. Ouvimos todos os nomes que vão concorrer às eleições estaduais deste ano, sentamos com os prefeitos que integram a legenda e vamos levar o encaminhamento da sigla para a reunião da Executiva Estadual, que é integrada pelos deputados, prefeitos, vice-prefeitos e nomes que fazem o PSDB do Rio Grande do Norte”, informou o deputado Ezequiel Ferreira de Souza, que preside o partido no Estado.

Do outro lado, a chapa encabeçada por Carlos Eduardo Alves, pré-candidato ao Governo pelo PDT, deve oficializar a chegada ao grupo do deputado federal Antônio Jácome (PODEMOS), que será levado a condição de pré-candidato ao Senado, ao lado de Garibaldi Alves Filho (MDB). O atual senador José Agripino deve ir para a disputa pela Câmara dos Deputados, mas se mantendo no grupo.

Por Ciro Marques/Agora RN – Foto: José Aldenir/Agora Imagens

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